
Naquela roda de amigos, em volta de uma mesa de bar, eu estava feliz. Entre eles, podia ser quem quisesse e, ainda assim, eles me aceitavam. Já fazia duas horas que eu estava sentado naquele ambiente que era comparado a um buraco. Quando ela chegou, nós dois levamos um choque. Eu fiquei estático, tentando disfarçar meu embaraço e minha alegria. Ela cumprimentou todos que estavam na mesa e quase de súbito, deu-me um beijo, mas caiu em si antes de fazê-lo. Puxou uma cadeira e sentou. Eu não parava de observá-la.
Ela sabia que eu a estava encarando. Tentava não olhar na sua direção, mas o desejo de poder olhar em seus olhos novamente era impossível de conter. Por muitas vezes ela se infiltrava nas minhas conversas e fazia algum comentário. De repente, ao redor desse comentário, nós começávamos a conversar. Só nós dois. E nos perdíamos nas palavras; um se perdia na voz do outro. Após tanto tempo, tínhamos assuntos intermináveis para discutir.
Freqüentemente, eu tinha notícias dela através de nossos amigos em comum. Freqüentemente, pensava nela, se ela estava pensando em mim e, de uma forma indireta, eu invadia a vida dela. E ela invadia a minha. Nestes momentos, havia uma ligação utópica entre nós. Mas, quando finalmente nos encontramos naquele bar, junto aos nossos amigos, estávamos ligados de verdade. Havia ali uma proximidade real. Entretanto, o que não tínhamos percebido, é que essa proximidade era também física. E isso era perigoso. Quando ela se levantou para ir ao banheiro, eu a segui. Segurei-a pelo braço e a puxei para dentro daquele cubículo apertado e sujo, e dei-lhe um beijo.
