quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Hoje, só hoje.



Hoje, soube exatamente o que fazer, abri algumas portas da minha vida e encontrei experiências vividas e aquelas deixadas para trás, abri janelas e vi paisagens desdenhadas e um céu estrelado que eu vivia a contemplar.
Hoje, tracei vitais linhas transversais e liguei os pontos de encontro em um belo mosaico das minhas efêmeras experiências.
Evanescente, discuti com o inexorável tempo na ânsia de sua concessão de um curto espaço de estudo e meditação.
Impaciente, também, pedi um sol mais complacente com minhas dores e uma lua menos displicente com meus amores.
Sei que, de pouco em pouco, hoje muito fiz com a destreza do melhor de meu ser, enquanto sempre encarava a máscara do medo, que vive a perseguir meus sonhos ao criar sombras de fracasso das quais atrás do meu intenso trabalho a todo tempo venho buscando me esconder.

quinta-feira, 30 de junho de 2011



Sou aquele que hiperboliza seus versos,
anáfora seus atos,
transporta-se ao êxtase
e se joga ao chão do acaso;

Sou também o que visa ao futuro,
que eufemisma seus passos,
destrói seus sonhos
e condena o fracasso.

Sou um vagalume de erros,
um paranomásico discreto
um cantor-compositor de seus atos,
sou um gênio analfabeto.

terça-feira, 7 de junho de 2011

inspiração divina



Para o hoje, a Inspiração não existe, o que há são sonhos mal criados, subjugados em papéis rascunho e embolados em latas de absoluta verdade contemporânea.
Não se crê que a Inspiração é a morte de cada dia, o resto de vida que te engana, os pedaços de pano que te cobrem à noite enquanto sua alma sangra de ilusões.
'Inspiração não é nada,' é 'só' o sangue que te move, são 'só' as dores que te cobrem e 'apenas' a coluna que te sustenta enquanto caminhas cheio de verdades no mundo que ela criara.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Rubem Alves

"O ciúme é aquela dor que dá quando percebemos que a pessoa amada pode ser feliz sem a gente."

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Da sessão preguiça...

Dizem que há na imagem 39 músicas dos Beatles. Você é capaz de encontrá-las?




Stuff no one told me - 2

domingo, 22 de maio de 2011



Certas  coisas  se constroem desde cedo. 
Não se começa um prédio pelas janelas.

terça-feira, 17 de maio de 2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011

O primeiro não se esquece

Era tarde da noite, um vento forte batia na janela e a lua se insinuava bem ao fundo de um cenário urbano acinzentado. Lua cheia, de cor forte, chamando tanta atenção pelo tamanho que mais parecia uma pintura no céu.

Em uma das janelas de um prédio, uma jovem perturbada, de olhos cansados e corpo deitado sobre o parapeito, olhava a rua vazia da madrugada. Virava-se várias vezes para a lua, para as estrelas e enfim para o horizonte. Era um trabalho repetitivo que fazia pensativa várias vezes por noite e seguia para deitar. Esperava a brisa das primeiras horas do dia chegar para suspirar fundo, deixar as lágrimas descerem e ir limpa-las com o travesseiro.

Nesta noite, a brisa não veio, mas lágrimas irrepreensíveis foram lhe atingir o busto sem serem interrompidas. Desceram frias, carregadas de quentes lembranças tornando-se mornas ao corpo inerte. O dia foi tenso.

Há dias terminara com aquele garoto, aquele que ainda ama. Suas palavras ainda não lhe desceram a garganta, seus abraços ainda não lhe esfriaram o corpo e seus beijos ainda não lhe secaram a boca. Ainda doía. Doía acordar e não contar com sua presença, andar e sentir suas mãos vazias, e então, engolir cada palavra de carinho. Doía ainda mais, o telefone mudo, que não saía do bolso de seu jeans, esperando algum sinal de vida, dilacerando a simples lembrança de que ele se foi , de que eles não se encontrariam nem por acaso nas ruas e que sua casa tão próxima estava vazia de seu cheiro e de seu sorriso.

Suas lágrimas escorriam cada vez mais e alcançavam cada vez maior distância, tornando inevitável que seus olhos ardessem e precisassem ser lavados. Sentir a água fria no rosto a fez acordar para a realidade e enxergar que na iluminada sala de estar ainda havia gente. Era sua irmã mais velha, deitada no sofá, que ao notar a presença estranha logo perguntou:

- Que foi Ju?
- Você sabe ...
- Estava chorando por ele de novo ?
- Estava.
- Sabe irmã, senta aqui comigo.
- ...
- Você ainda gosta dele não é ?
- Gosto. Eu não consigo que chegue uma noite sem lembrar do que passamos... Não consigo olhar para o céu e não ver seu rosto. Eu pareço uma criança sempre que a noite chega, enquanto assim que o sol nasce eu finjo cada vez mais convincentemente para mim mesma de que ele é uma estação passada...
- Mas até mesmo o seu espelho sabe que exatamente como um verão, ele chegará novamente para te perturbar, te fazer suar e te fazer sorrir.
- Eu sei Marina... Ele nunca me dará paz e isso me machuca.
- Ju, pense comigo, no fundo é como se você tivesse acabado de cair e quebrado as pernas... E se elas doem e você não é capaz de curá-las ... Quebre o braço, que logo se esquecerá delas. Essa é a lógica do amor.
- Talvez você tenha razão... Mas eu não queria agir assim, pois e quando meu corpo todo doer? Eu tiver partido cada pedaço do meu coração? As dores serão muitas e tão grandes que eu acabo
me matando minha irmã... E esse amor tanto vale ?