Era primavera, mas, para mim, não importava. As flores se perdiam pelas névoas da noite, os pássaros sequer cantavam nessa madrugada, e tudo não passava de um silêncio absoluto. Por entre as ruas que andava, só via sombras, vultos e a triste lua a me iluminar.
As árvores refletiam as dores do passado inverno... Suas folhas estavam pálidas - como meu rosto - seus ramos fracos - como meus braços - e seu tronco inerte - como todo o meu corpo. Me movia com muito custo, como a me levar pelo vento; me descobria uma árvore por entre tantas iguais.
Pousei sobre um banco, como um pássaro pela madrugada, sem bater asas, sem piscar meus olhos. Me alimentava da noite, me saciava do sereno, me escondia por entre os ramos inventados e descansava por entre meu ninho recém-criado. Só me faltavam asas para ter voado dali para bem longe, no fundo, eu era pássaro perdido.
Depois de um tempo, eu estava só, andando, como estivera momentos atrás. Não era mais uma árvore nem um pássaro. Era só eu mesma tentando encontrar meu próprio lugar. Caminhava seguindo um instinto de que encontraria um lugar onde estaria em paz, mas caminho até hoje pelas mesmas ruas escuras, que eu sei que são diferentes, mas me parecem, sempre, todas iguais.
Wooooow.. me lembra um texto que eu escrevi uma vez, mas perdi.. Chamava "Limbo". Muito foda, Anala!
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