De início, tentei mergulhar no mar, mas a água estava fria, não entrei. Almejei pular do topo, mas estava além da minha vertigem, não pulei. Encontrei o caminho de casa e, na ânsia de me afugentar, sequer o pôr do sol eu admirei. Até que enfim cheguei à porta, alguém me abordou e na tentativa de acertar, mais uma vez eu errei.
O meu corpo já era cúmplice do medo, era um amante da desistência, minha alma era filha da calma, era mãe da impaciência. Soltei-me por completo sem tempo de sentir o gélido chão. Foi tudo substituído pelo cheiro de morte de quem morre como se fosse um cão.
Agora ouço sons que me remetem lembranças, vejo sombras que se assemelham aos meus medos, ouço vozes que confundem meus pensamentos, sinto facas que dilaceram meus sentimentos.
De tanto errar, no fundo eu só sinto revolta. Se voltasse à vida, iria atrás das borboletas só para vê-las voar, pois hoje sei que nem um belo jardim as traz para mim de volta.

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