domingo, 21 de abril de 2013

Bad day



E NO CAFÉ DAS 11...

Paula chega e se senta na primeira mesa ao lado da porta, olha o relógio e pensa: "Ele está atrasado."
Leo anda apressado, não quer perder a hora. Seu tênis já desamarrou três vezes no caminho de pouco mais de 300 metros do seu trabalho ao Café, e ele olhou no relógio agora pela segunda vez. "Ela não estará lá," balbuciou.

Ele passa pela porta, olha ao redor. "Ela está aqui."
Senta-se na mesa do canto; ajeita o cabelo; pede uma água.
Paula finge não reparar que ele chegou. "Ele nunca me nota."  Pediu um café
Leo agradece o garçom. "Como é linda... Mas nunca será minha."
Ela olha para Leo, que desvia o olhar. "Como o queria, mas nunca será meu."

Alguém buzina na rua e os dois olham juntos e depois se entreolham. Ela esboça um sorriso, ele, um "olá," mas desistem. Paula ajeita o cabelo, mostra os brincos. Leo finge reparar na janela, mas olha para seus cabelos ondulados. Ela abre a bolsa como se o celular tocasse e assim ele imaginasse que ela não é qualquer uma. Leo sente ciumes, gostaria de possuir aquela boca que fala só para ele, mas o tempo corre e ele precisa voltar. Levanta rápido, paga a conta e volta seu olhar à porta como se nada tivesse ocorrido. Sai como se ela não fosse a única razão dele sempre estar ali, mas com a certeza de que amanhã ele vai consegui-la.

Paula suspira, queria aquele corpo colado no seu, queria ouvir sua voz no telefone que agora guarda. Ela queria olhar nos olhos que sequer olharam para trás, mas levanta-se devagar, paga a conta e se dirige ao garçom.
"Aquele rap... esquece."
Paula abre a porta e sai em sentido contrário ao de Leo,  anda como se aquele fosse um destino certo, a última ida de quem decidiu nunca mais voltar.

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