sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Identidade Espelhada

   
   De todas aquela foi a pior das brigas, com os gritos mais altos, os choros mais intensos e as palavras mais penetrantes. Cada olhar era único e cada frase o mais verdadeiro possível; não havia como evitar o peito se dilacerar ao sentir o ódio emergindo profundamente.
   Seu rosto derretia de tantas lágrimas que escorriam e pareciam não compreender que já era hora de parar, pois as palavras se foram, se esvaíram pelas paredes, tentando escapar de algo pior.
   Ela levantara da cama caminhando em sua direção, que sequer, pôde se mover para escapar das mãos que o envolvia. Sentia o perigo iminente no ar e sabia serem aqueles seus últimos momentos, quando de repente sentiu-se arremessado contra a parede a dilacerar-se enquanto caía ao chão.
   As palavras tiveram razão ao escapar àquele momento que emudeceu-se após aquele último estardalhaço. Mas embora no chão, aos pedaços, ele sabia que só por falar a verdade, não poderia ser o grande culpado.

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