Certo dia, sonhei que estava em um compasso. Um longo compasso. Estava entre colcheias de uma nota só e bemóis emparelhados. Ao longe, vi notas desconhecidas, grandes pausas e muita repetição. Era uma harmonia intensa, composta, complexa, páginas e páginas semi escritas esperando uma conclusão póstuma. À minha frente, tudo não passava de rascunho, atrás, era obra concreta; eu, um empecilho para a melodia prosseguir. Uma fermata em suspensão que saltava sem pensar, e antes de botar os pés no bemol que a acompanhava, caia de súbito na cama. Acordei ofegante ao som de uma música ao fundo. Esta foi sumindo aos poucos, ressurgindo em pensamentos, enquanto eu trocava pela quarta vez na semana a pilha do relógio agora-mudo na minha cabeceira.

"sumindo aos poucos, ressurgindo em pensamentos"
ResponderExcluirEssa parte agente sempre se identifica! Ainda mais quando - se tiver um - início da próxima música, nos incomoda.
Nem precisa dizer o quanto o texto está foda e muito bem trabalhado!
Bjux!
Brigada tássio :) ! Já fiz um texto obscuro, implícito como diria dona lívia. Ninguém que não saiba o que é compasso e fermata em suspensão, realmente vai entender. Essas palavras formam um breu até a terceira leitura. Haha, Beijo.
ResponderExcluirNossa! Perfeito. Adorei o texto.. Até me inspirei e fiz um seguindo a idéia.. Espero que não se importe.. ;)
ResponderExcluirBeijo!
Muito bacana!!! Adorei o campo semântico musical!!! E a quebra de expectativa no fim, muito bem trabalhada - Surrealista!!!
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